segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Comunidades Virtuais de Aprendizagem

Comunidades Virtuais de Aprendizagem

A evolução tecnológica e a crescente expansão  da internet , oportunizou  a criação das redes sociais que permitiu o aparecimento  das comunidades virtuais de aprendizagem  que são agrupamentos de pessoas que surgem no ciberespaço e  se comunicam a partir a partir das redes sociais ,com o objetivo de interagir através de trocas informações, relacionamentos  e  compartilhamento de conhecimento  que são transmitidos de forma interativa entre os grupos que possuem  determinado interesse e interconexão  com o ambiente virtual utilizado na aprendizagem. Com o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos ambientes virtuais, surgiu nas organizações educacionais um novo modelo que privilegia o conhecimento construído a partir de interação social, e estabelecidos através de comunidades virtuais de aprendizagem que  tem como características, o coletivo de pessoas que  se agrupam para estabelecer  relações sociais virtuais  que são  construídas através da interação mútua,  das afinidades de interesses, de conhecimentos, de projetos recíprocos que são  desenvolvidos num processo de cooperação.
Para Piaget (1973), a cooperação é identificada como um processo em ação. Cooperação é operar em conjunto na ação; caracteriza se pela coordenação de pontos de vista diferentes e pela existência de regras autônomas de condutas fundamentadas no respeito mútuo. Para que haja uma cooperação são necessárias as seguintes condições: existência de uma escala comum de valores; conservação da escala de valores e existência de uma reciprocidade na interação. Uma comunidade virtual é um coletivo mais ou menos permanente dependendo dos interesses dos participantes, que se organiza através de ferramentas oferecidas por um novo meio. As comunidades se alimentam do fluxo, das interações, das inquietações, das relações humanas desterritorializadas, transversais e livres.
Logo , as ferramentas das redes sociais podem ser utilizadas na educação como suporte para cooperar  e desenvolver a  aprendizagem  de forma dinâmica e interativa ,pois o sujeito pode aprender em qualquer tipo de rede e comunidade virtual, porque a aprendizagem é um processo universal que acontece a todo momento e as atividades articuladas pelas redes virtuais tem como objetivo final a aprendizagem, e as discussões são planejadas ,orientadas e desenvolvidas , principalmente, com vistas a atingir os objetivos  educacionais que são  propostos no sistema .As aprendizagens acontecem independente de qual  ambiente  as redes e comunidades virtuais de aprendizagem se desenvolvem, nem o tempo de duração, podendo surgir em diversas situações com listas de discussão, blogs, por meio de troca de e-mails, espaços desenvolvido para cursos, etc.
Neste contexto, encontramos no ciberespaço um ambiente que oportuniza a todos um espaço com comunidade virtual de aprendizagem que possuem  fins educacionais,  atravessam  fronteiras e pode ser realizado em qualquer lugar ou espaço geográfico ,podendo ser vinculados ou não a instituições educativas, mas que possuem como  objetivo explícito o desenvolvimento da aprendizagem.

Referências bibliográficas
Sihler, Anelise Pereira.Comunidades Virtuais:Aprendizagem Colaborativa. www.portal m te.gov.br/data/files/.../2011_comunidades_virtuais.Pesquisa realizada em 07de agosto de 2015.

Schlemmer Eliane . Comunidades Virtuais de Aprendizagem: Possibilidades para Repensar as Práticas Didático-pedagógicas.www.portalanpedsulcom.br. /12_09_24_ COMUNIDADES_VIRTUAIS... Pesquisa realizada em 07de agosto de 2015.

Carvalho, Jaciara de Sá. Comunidades Virtuais de Aprendizagem. www.abed.org.br/congresso2008/tc/5132008103623pm. Pesquisa realizada em 07de agosto de 2015.





segunda-feira, 27 de julho de 2015

Avaliação do Software Scratch


                                           FICHA DE AVALIAÇÃO


Avaliador:
Valdenice da Rocha Alves
Nome do software:
Software Scratch produzido pelo Lifelong Kindergarten Group do Massachusetts Instituteof Technology / MIT Media Lab e pode ser utilizado em todos os Níveis de Ensino
Objetivos educacionais:
Desenvolver as habilidades de lógica ,de leitura e escrita com criatividade na construção e produção de mídias interativas
Acesso:
Http://www.scratch.mit.edu
Classificação (3-sempre, 2-muitas vezes, 1-poucas vezes, 0-nunca, N-não se aplica, “em branco” – ainda sem avaliar).
Apresentação
3
É usado para desenvolver as potencialidades e criatividade em todos os componentes curriculares quando envolve a produção e apresentação da própria atividade.
Consulta
3
Pode ser usado com fonte de consulta os trabalhos desenvolvidos na programação e compartilhados na web..
Pergunta/resposta
3
Pode ser realizado com animação de personagens que usam perguntas e respostas na atividade.
Tutor inteligente
3
Pode se usado na construção de tutor inteligente através de animação dos personagens interativos.
Construção
3
O construção é o suporte principal da programação do sftware scratch.
Jogo
3
Qualquer tema ou conteúdo pode ser construído com animação interativa de jogos com personagens e outros elementos de produção.
Simulação
3
O sftware scratch permite modificações no momento da configuração com simulação dos elementos que estão em construção .
Micromundo
3
É considerado micromundo ,pois é permitido a construção de mídias interativas no momento da construção
Programação
3
A programação é usada com mediação explicativa para facilitar o uso dos comandos que aparecem em blocos de instruções.
Comunicação
3
Os programas desenvolvidos podem ser compartilhados no sítio da web
Cooperação
3
Os comandos podem ser usado em colaboração com outras pessoas no momento da construção da mídia interativa
Usabilidade(3-sempre, 2-muitas vezes, 1-poucas vezes, 0-nunca, N-não se aplica, “em branco” – ainda sem avaliar).
Presteza
3
Tem facilidade no comando dos blocos que são arrastados no momento da construção e produção da atividade desenvolvida.
Agrupamento
3
Os elementos saem blocos ordenadas que são arrastados de acordo com a instrução da sequencia usada na produção da atividade.
Feedback imediato
3
O feedback acontece no momento da realização da tarefa e pode ser mudado e visualizado na construção da atividade.
Ações explícitas
3
O ambiente tem blocos de instruções que permite a criação e experimentação e modificação no momento da construção da atividade
Controle do usuário
3
O usuário pode controlar o andamento do programa devido ao comando de blocos que tem uma sequencia de instrução que permite a visualização e modificação da atividade no momento da produção.
Consistência
3
Sftware de fácil manipulação com sequencia de instrução português.
Significado
3
Todos os comandos dos blocos tem a versão em português.
Aprendizagem (3-sempre, 2-muitas vezes, 1-poucas vezes, 0-nunca, N-não se aplica, “em branco” – ainda sem avaliar).
Lembrar
3
As informações são claras e em português com facilidade de reprodução e lembrança dos procedimentos realizados.
.Entender
3
São comandos de blocos com fácil visualização que facilitam a produção e criatividade da atividade.
Aplicar
3
È permitida a aplicação interdisciplinar e pode ser usado em diferentes conteúdos.
Analisar
3
E preciso fazer uma análise prévia do conteúdo para adaptá-la e adequá-la com os elementos da mídia que sera desenvolvida.
Avaliar
3
A atividade produzida pode ser avaliada e modificada no momento da sua experimentação e construção.
Criar
3
Qualquer tema ou conteúdo analisado e desenvolvido na atividade é permitido usar a total criatividade na preparação da tarefa .



quinta-feira, 25 de junho de 2015

Práticas de leitura e escrita na deficiência auditiva: Projetos

Atividade de sala de aula com dinâmica para oportunizar o conhecimento e a aprendizagem da Linguagem Brasileira de Sinais(LIBRAS) de forma a facilitar a compreensão e a integração dos alunos em relação aos alunos que apresentam deficiência auditiva.


Estrutura Curricular

Modalidade
/ Nível de Ensino

Componente
Curricular

Tema

Ensino Fundamental

Língua Portuguesa

Língua : prática de
leitura e escrita
Dados da Aula

Tema
Dinâmica de leitura labial
Apresentação da Linguagem Brasileira de Sinais(LIBRAS)
Leitura e interpretação de texto sobre a
educação dos surdos no ICES
Objetivos da aula
A partir desta aula o aluno poderá:
Vivenciar, através de atividades práticas orientadas, as
dificuldades enfrentadas por um deficiente auditivo.
Desenvolver a leitura, a escrita e o senso crítico dos alunos
através de texto informativo sobre o assunto.
Conhecer, aprender  e
fazer uso, através de dinâmica, da linguagem dos surdos (LIBRAS),
Duração das atividades
Aproximadamente 3 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios
trabalhados pelo professor com o aluno
Será necessário que os alunos estejam
alfabetizados.

Desenvolvimento da aula
Momento 1
O professor iniciará a aula comentando que precisa dar um recado
importante para os alunos e pedirá que eles o ouçam atentamente.
Em seguida, o professor dirá, sem emitir sons, apenas
movimentando a boca: "Iremos estudar um pouco a respeito da deficiência
auditiva".
Provavelmente, os alunos reclamarão e dirão que não ouviram o
recado. Assim, o professor repetirá a frase da mesma forma e perguntará os
alunos se eles escutaram dessa vez.
O professor repetirá a frase uma terceira vez, falando, nesse
momento a frase em voz bem baixa.
Após os comentários dos alunos e as reclamações pelo não
entendimento da frase, o professor repetirá a frase alto e perguntará para os
alunos?
_ Qual foi a sensação de não ouvir o recado? Foi bom?
Após ouvir os alunos, o professor  dirá que muitas pessoas não são capazes de
escutar, pois elas têm uma deficiência chamada auditiva, que pode ter sido
causada por alguma doença, por algum acidente ou até mesmo terem nascido assim.
O professor continuará a conversa perguntando aos alunos se eles
conhecem alguém que é surdo. Caso a resposta seja positiva, o professor
indagará também se eles sabem se esses deficientes enfrentam alguma dificuldade
e quais são?
Momento 2
O professor ouvirá os alunos e em seguida proporá uma dinâmica
de "Leitura de lábios".
Nessa dinâmica ,  dirá
algumas palavras e frases de forma pausada e os alunos tentarão adivinhar o que
ele disse.
Algumas sugestões de palavras e frases são as seguintes:
- Diferenças.
- Respeito
- Deficiente auditivo
- Os surdos realizam leitura  labial.
-A linguagem utilizadas pelos surdos chama-se libras.
Em seguida, o professor comentará com os alunos as dificuldades
que eles tiveram para entender as palavras e frases, o que os alunos sentiram
no momento da dinâmica e como podemos integrar o aluno com deficiência auditiva
no contexto da sala de aula.
Ele comentará, que os surdos utilizam de gestos ou seja uma língua
própria para conversar e  entender as
pessoas e que precisam  estudar  para  desenvolverem essa habilidade e que os surdos
tem uma linguagem  para se comunicar,
eles utilizam uma linguagem chamada: LIBRAS
Momento 3
O professor perguntará aos alunos se eles já ouviram falar sobre
essa linguagem. E, em seguida, a apresentará, entregando uma cópia do alfabeto
em libras para cada aluno .
O professor explicará que cada letra do alfabeto tem um gesto
próprio de sinal realizado com os dedos da mão, como observado na figura e, fará
a apresentação do alfabeto  para  os alunos, que farão a imitação dos  gestos de cada letra.
Momento 4
O professor proporá, após essa apresentação da Libras, uma dinâmica,
na qual os alunos terão que utilizar essa linguagem para dizerem algumas
palavras, como as seguintes:
-Amor
-casa
-céu
-lata
-pato
Finalizando a  dinâmica, o
professor dirá que os surdos se acostumam com essa linguagem e passam a
utilizá-la naturalmente, assim como nós falamos naturalmente.
Momento 5
Em seguida, o professor entregará um texto sobre a educação dos
surdos no ICES para os alunos lerem:
Escola dá exemplo em
educação para surdos
Autora: Janaína Bras.Adaptado por Lívia Neves. Retirado em
:Especial para O POVO (site:
http://www.noolhar.com/opovo/fortaleza/985663.html)
Imagine aprender uma segunda língua sem o recurso dos sons,
memorizando os retratos das palavras no papel. Uma língua cujo acesso precisa
extrapolar a barreira dos silêncios e avançar na decoreba de uma estrutura bem
diferente da língua com a qual você se expressa. Assim é o português para 1.520
alunos do ensino básico no Ceará: uma segunda língua - e das difíceis.
Se é através da Língua Brasileira de Sinais (Libras) que eles se
comunicam, nada mais natural que realizar provas nessa língua. O Instituto
Cearense de Educação de Surdos (Ices) é a primeira escola da rede pública
estadual do Brasil a ter o ensino médio exclusivo para surdos em todos os anos
escolares.
O Ices luta pelo respeito à primeira língua dos alunos, sem
descuidar da formação em português, exigência para o acesso deles ao mercado de
trabalho. ``A proposta é fortalecer o ensino desses alunos a fim de prepará-los
para concursos e empregos``, adianta a diretora, Juliana de Brito.
As provas foram filmadas por dois professores surdos do Instituto.
Uma deles é Débora Vasconcelos, que, junto dos outros dez professores surdos da
instituição, serve de inspiração para os alunos. ``Por favor, não escreva que
sou muda. Sou Surda, com S maiúsculo. Esta é minha identidade. Posso dirigir um
carro, comunicar minhas ideias, sou formada, tenho meu emprego. Não sou deficiente``,
declara.
Ela explica ainda que: o aluno surdo nem sempre entende o texto
em português, como o aluno brasileiro tem níveis dificuldade para entender o
inglês, por exemplo. Assim como todas as pessoas, os surdos também tem suas
dificuldades como qualquer outra pessoa.
Após a leitura do texto, os alunos responderão, no caderno, as
seguintes perguntas:
1) Por que o Português é uma segunda língua para os surdos?
(Porque a primeira, ou seja, aquela que eles aprenderam primeiro é a Libras)
2) O que significa LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais)
3) Em qual língua os alunos dessa escola fazem provas? (Eles
fazem em libras, língua que eles utilizam)
4) A iniciativa da escola do Ceará em acolher os alunos surdos e
ensiná-los nossa língua é boa? Justifique. (Sim, pois os surdos têm direitos de
estudar como qualquer outro estudante e de conhecer o Português que é a língua
do país onde eles vivem.)
5) Você acha que todas as escolas são frequentadas por alunos
surdos? (Resposta pessoal)
6) Por que algumas escolas não apresentam estudantes surdos em
sua opinião? (Resposta pessoal, na qual o aluno poderá responder que algumas
escolas podem achar difícil esse trabalho, que não estão preparadas ou que tem
preconceito)
7) Por que a professora diz que ela não é muda e sim surda? (Por
que ela tem problema de audição e  não
tem problema na fala, ela só não fala por que não escuta e consequentemente não
aprendeu a falar .)
8) Assim como a professora, outros surdos também tem uma vida
normal, como a nossa? (Sim, eles podem realizar todas as atividades, se
comunicar, ter amigos, etc)
O professor dará um tempo para os alunos responderem as
perguntas e, em seguida, comentará as questões, ouvindo algumas respostas e as
complementando.
Recursos Complementares
Caso o professor queira complementar a aula, ele poderá
apresentar o seguinte vídeo:
Avaliação
O professor avaliará:
a participação dos alunos no momento das dinâmicas de utilização
da linguagem de LIBRAS;
a capacidade do aluno de  expressar-se através de sinais e  verbalmente durante a aula;
a atividade de interpretação  sobre o texto, verificando se o aluno foi
capaz de responder às perguntas de forma adequada (de acordo com o texto),
organizando as ideias e argumentos.

Referência


http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=20449.Acesso
ás 7h20minutos em19 de junho de 2015.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A Escrita do Surdo: Relação Texto e Concepção

A ESCRITA DO SURDO : RELAÇÃO TEXTO E CONCEPÇÃO

O artigo de Oliveira faz um breve histórico da evolução do atendimento ao surdo na escola regular que é padronizada com currículo específico para a aprendizagem da leitura e escrita que é a base comum para os ouvinte , porém o aluno surdo demanda um currículo que precisa ser considerado de acordo com suas peculiaridades e especificidades baseada na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) que estabelece os princípios  e normas diferenciadas entre as línguas do ouvinte e o surdo .Logo ,a escola precisa criar metodologias e estratégias que possibilitem a inserção do surdo no sistema e na sociedade.



A ESCRITA DO SURDO: RELAÇÃO TEXTO E CONCEPÇÃO

O sistema de ensino escolar fundamenta-se na aprendizagem e na compreensão da escrita e da leitura. Quando a criança chega à escola, já possui muitos conhecimentos acerca das regras gramaticais, porém passa a usar a língua num contexto diferenciado daquele natural e cotidiano, com o qual está familiarizada, ou seja, depara-se com uma linguagem nova, formal e padronizada, a fim de que possa escrever e compreender textos escritos (descontextualizar).
Partindo dessa constatação geral, deparo-me com a questão peculiar dos alunos com surdez (indivíduos com perda maior ou menor da percepção auditiva), que representam uma clientela específica, com aspectos que não podem ser desconsiderados.
Considerando que os indivíduos com surdez não acessam a informação escrita como as outras pessoas (dificuldades decorrentes da falta de audição), esclarecendo, inclusive, que mesmo os usuários de prótese não têm a audição como a de pessoas comuns, e muitas vezes escutam sons distorcidos ou diferentes de nossa realidade de ouvintes, percebemos que estes indivíduos apresentam uma grande resistência a escrita e a leitura de textos e informações escritas, em geral.
Diante dessa realidade, questiono sobre o que temos feito ou sobre o que podemos fazer, enquanto educadores, para reduzir a distância que existe entre a linguagem específica do aluno com surdez, baseada na LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais - a qual funciona como língua 1 para o mesmo, por apresentar um aprendizado natural e mais facilitado, e o Português, considerado língua 2 para este mesmo aluno; sabendo que as duas línguas possuem princípios e regras diferenciadas.
Devemos considerar, no entanto, que todos nós, surdos ou ouvintes, vivemos em uma sociedade que tem como base lingüística a língua materna dos falantes nativos do país (no caso do Brasil, o Português), e não a língua de sinais (realidade de um grupo minoritário).
Por não haver o feedback via audição, pelos surdos, torna-se muito difícil a compreensão do mecanismo do Português, nos moldes tradicionais da escola, principalmente para aqueles que possuem perda severa e profunda.
Constata- se, desta forma, através do uso de metodologias equivocadas, um expressivo fracasso escolar, por parte dos alunos com surdez.
Como um primeiro caminho para a busca de alternativas efetivas que os auxiliem na melhor estruturação de sua linguagem, se faz urgente a compreensão dos efeitos das concepções que orientaram e continuam a orientar, na maioria das escolas, a constituição da linguagem destes sujeitos.
É o que procuraremos tratar como tema principal deste trabalho, considerando que a educação de qualidade para todo e qualquer indivíduo é um direito, cuja responsabilidade para sua efetivação real cabe a cada um de nós.
De acordo com o BRASIL/MEC/SEESP (1994), é considerado surdo o indivíduo que possui audição não funcional na vida comum, e parcialmente surdo aquele que, mesmo com perda auditiva, possui audição funcional com ou sem prótese.
A deficiência auditiva pode ser congênita ou adquirida.
É congênita quando ocorre antes do nascimento ou, em alguns casos, durante o parto e adquirida quando ocorre após o nascimento.
O volume ou intensidade dos sons é medido por unidades chamadas decibéis (dB).
Podemos verificar, a partir da perda auditiva em decibéis, a existência de diferentes graus de surdez. Do ponto de vista educacional, considera-se dois grupos específicos que se subdividem, conforme descrito a seguir.
O grupo dos parcialmente surdos engloba os sujeitos com surdez leve e os com surdez moderada.
O aluno com surdez leve apresenta uma perda auditiva de até 40 dB. Essa perda impede a percepção perfeita de todos os fonemas da palavra, mas não impede a aquisição normal da linguagem. Pode, no entanto, causar algum problema articulatório ou dificuldade na leitura e/ou escrita.
O aluno com surdez moderada apresenta perda auditiva entre 40 e 70 dB. Esses limites se encontram no nível da percepção da palavra, sendo necessário uma voz de certa intensidade para que seja claramente percebida. Esse aluno apresenta maior dificuldade de discriminação auditiva em ambientes ruidosos. Ele identifica as palavras mais significativas, mas tem dificuldade na compreensão de certos termos de relação e/ou frases gramaticais complexas.
O grupo dos surdos abrange os sujeitos com surdez severa e os com surdez profunda.
O aluno com surdez severa apresenta uma perda auditiva entre 70 e 90 dB. Essa perda permite a identificação de alguns ruídos familiares e apenas a percepção da voz de timbre mais forte. A compreensão verbal vai depender da utilização da percepção visual e da observação do contexto das situações.
O aluno com surdez profunda apresenta perda auditiva superior a 90 dB. Essa perda é muito grave e pode privar o indivíduo da percepção e identificação da voz humana, impedindo-o de adquirir naturalmente a linguagem oral.
Os conhecimentos lingüísticos desses indivíduos (especificamente dos sujeitos com surdez profunda) podem apresentar sérias deficiências no que se refere ao domínio de suas estruturas, sobretudo na produção escrita, caso não sejam mediados adequadamente.
Segundo Fernandes (1990) essas dificuldades podem ser demonstradas por dificuldades com o léxico, falta de consciência de processos de formação de palavras, desconhecimento da contração de preposição com o artigo; uso inadequado dos verbos em suas conjugações, tempos e modos, uso inadequado das preposições, omissão de conectivos em geral e de verbos de ligação, troca do verbo ser por estar, uso indevido dos verbos estar e ter, colocação inadequada do advérbio na frase, falta de domínio e uso restrito de outras estruturas de subordinação.
Ao longo da história, três filosofias educacionais se destacaram na educação de surdos, e continuam presentes em maior ou menor intensidade nas instituições e/ou escolas que atendem alunos com deficiência auditiva.
De acordo com Dorziat (1997, p. 13), “apesar das diferentes opiniões que dividem e subdividem as metodologias específicas ao ensino de surdos, em termos de pressupostos básicos, existem três grandes correntes filosóficas: a do Oralismo, da Comunicação Total e do Bilingüismo”.
Mediante tal afirmação seria interessante apresentarmos um breve histórico da educação de surdos, a fim de situarmos as tais concepções filosóficas citadas.
SACKS (1998) conta que até o final do século XV não havia escolas para surdos, estes eram considerados incapazes de aprender. Em meados do século XVI, Girolano Cardano propôs um conjunto de princípios que prometia uma ajuda educacional e social para os surdos, afirmando que este podia ser pensante, compreender símbolos gráficos ou combinações de símbolos associados a objetos ou figuras que os representassem. Assim, no início de 1555, surgiu a educação oral para crianças surdas. Algumas crianças surdas de famílias nobres aprenderam a falar e a ler para poderem ser reconhecidas como pessoas nos termos da lei e herdar títulos e propriedades de suas famílias.
Nos Estados Unidos, em 1817, Thomas Hopkins Gallaudet, com Laurent Clerc, fundaram o Asilo Americano para Educação e Instrução dos Surdos Mudos (atual Universidade Gallaudet). Nesta época houve uma grande valorização e aceitação da língua de sinais, aumentando o número de surdos alfabetizados na França, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.
Após esse período, ocorreu o chamado “ponto crucial” para a história dos surdos, onde tudo, que bem ou mal estava caminhando, mudou o percurso da história. Começou a surgir um movimento contra o uso de sinais por e para os surdos.
No ano de 1880 aconteceu um Congresso Internacional de Educadores de Surdos, em Milão, no qual foi depreciado o uso da língua de sinais. Segundo Skliar (1997), esse Congresso não contou com a participação, tampouco com a opinião dos surdos, ao contrário, um grupo de educadores ouvintes impôs a superioridade da língua oral sobre a língua de sinais, sendo, então, decretado que a primeira deveria constituir o único objetivo do ensino de surdos.
A partir de então baniu-se completamente o uso dos sinais no ensino de alunos com surdez .
Essa concepção de educação enquadra-se no modelo clínico terapêutico da surdez, impondo uma visão patológica e um déficit biológico, os quais seriam reparados e/ou corrigidos pelas estratégias e recursos educacionais do Oralismo.
Dorziat (1997) nos esclarece de que a concepção do Oralismo visa a integração dos surdos, na comunidade de ouvintes, condicionando-os ao aprendizado e desenvolvimento da linguagem oral. Considera-se que, para a boa comunicação, a pessoa com surdez deva oralizar bem, sendo o principal objetivo dessa filosofia, como já foi apresentado, fazer uma reabilitação da criança surda em direção à “normalidade”, à “não surdez”.
As metodologias utilizadas no Oralismo se justificam por pressupostos e práticas diferenciadas, mas se unem no fato de acreditarem que a língua oral é a única forma desejável e efetiva de comunicação do surdo.
De acordo com Dorziat (1997, p.13) “esse método procura assim reeducar auditivamente a criança surda pela amplificação de sons, juntamente com técnicas específicas de oralidade”.
Autores e pesquisadores na área de surdez como Sacks (1998) e Dorziat (1997), dentre outros, avaliam que o Oralismo e a supressão de sinais tiveram como conseqüência a deteriorização das conquistas educacionais dos sujeitos com surdez e do grau de instrução alcançados por esses indivíduos.
Alguns oralistas tentam justificar os resultados negativos ou incompreendidos do Oralismo, de forma geral, por aqueles que se contrapõem às suas idéias. Freeman, Carbin e Boese (1999, p. 145) fazem o seguinte comentário acerca dessas justificativas:
Em vez de questionar a sabedoria de sua abordagem restritiva, os oralistas argumentam que os resultados de um treinamento oral, reconhecidamente pobres, originam-se do fato de não se ter feito um diagnóstico o quanto antes, de não haver iniciado a amplificação cedo, de não se dispor de um aparelho auditivo corretamente ajustado, de não existir pessoal adequadamente qualificado, de não se ter conseguido motivar os pais, para que insistissem no uso constante do aparelho auditivo [...] as condições para o sucesso são objetivos ideais pelos quais alguns podem desejar lutar para alcançar, mas, ao mesmo tempo, essas condições são uma desculpa pronta para o que os outros consideram “insucessos”, na abordagem básica do tratamento da criança surda.
Marchesi, apud Chaves (s.n.t.), relata que nos anos 60 ocorreu nos Estados Unidos um novo movimento, fruto da insatisfação com os resultados obtidos na educação de surdos, retomando, assim, as concepções que utilizavam a língua de sinais, enfatizando, nesse primeiro momento de transição, a Comunicação Total, sobretudo nas décadas de 70 e 80.
Podemos dizer que o grande mérito dessa concepção consiste em deslocar a língua oral como o grande e principal objetivo na educação de sujeitos com surdez, priorizando a comunicação dos mesmos. O sujeito com surdez deixa de ser visto como portador de uma “patologia”, e passa a ser considerado como uma pessoa capaz.
O principal objetivo da Comunicação Total consiste na efetivação dos processos de comunicação entre os sujeitos com surdez e entre estes, e os demais sujeitos.
De acordo com Denton (1976, p. 4), apud Freeman, Carbin, Boese (1999, p. 171), a definição freqüentemente citada é a seguinte:
A Comunicação Total implica em que a criança com surdez congênita seja introduzida precocemente em um sistema de símbolos expressivos e receptivos, os quais ela aprenderá a manipular livremente e por meio dos quais poderá abstrair significados ao interagir irrestritamente com outras pessoas. A Comunicação Total inclui todo o espectro dos modos lingüísticos: gestos criados pelas crianças, língua de sinais, fala, leitura oro-facial, alfabeto manual, leitura e escrita. A Comunicação Total incorpora o desenvolvimento de quaisquer restos de audição para a melhoria das habilidades de fala ou de leitura oro-facial, através de uso constante, por um longo período de tempo, de aparelhos auditivos individuais e/ou sistemas de alta fidelidade para amplificação em grupo.
Os maiores benefícios da Comunicação Total residem no fato de que esta encoraja a aceitação da criança surda como uma pessoa cuja linguagem precoce pode crescer em resposta às necessidades crescentes, reforçando uma abordagem individualista de acordo com as habilidades de cada criança e de cada tipo ou grau de surdez.
Autores como Sanches (1990) e Dorziat (1997), dentre outros, dizem que o grande problema desta filosofia é a mistura de duas línguas (Português + Língua de Sinais), o que resulta numa terceira modalidade que é o Português sinalizado, onde ocorre a introdução de elementos gramaticais de uma língua na outra. Essa prática recebe, também, o nome de Bimodalismo e inviabiliza o uso adequado da língua de sinais.
Dorziat (1997, p.16) faz a seguinte citação a respeito dessa problemática:
Como não existem na língua de sinais componentes da estrutura frasal do Português (preposição, conjunção, etc.), são criados sinais para expressá-los. Além disso, utilizam-se marcadores de tempo, de número e de gênero para descrever a língua portuguesa através de sinais. A isto se chama de Português sinalizado. Outra estratégia utilizada pela Comunicação Total é o uso de sinais na ordem do Português, sem no entanto, usar marcadores, como no Português sinalizado. O que existe em ambos os casos é um ajuste da língua de sinais à estrutura da língua portuguesa.
A conclusão que alguns autores tiram do uso da Comunicação Total é que essa concepção, através de seus procedimentos comunicativos, serviu mais aos pais e professores ouvintes do que aos alunos com surdez.
A partir da efetivação de discussões como as que apresentamos acerca das práticas até então utilizadas junto aos sujeitos com surdez, surge uma nova filosofia educacional que apreende a língua de sinais na sua forma genuína, é a chamada Bilingüismo, a qual tem sido difundiada e apreciada, sobretudo, a partir da década de 90.
Goldfeld (1997, p. 38) caracteriza o Bilingüismo da seguinte forma:
O Bilingüismo tem como pressuposto básico que o surdo deve ser Bilíngue, ou seja deve adquirir como língua materna a língua de sinais, que é considerada a língua natural dos surdos e, como Segunda língua , a língua oficial de seu país[...]os autores ligados ao Bilinguïsmo percebem o surdo de forma bastante diferente dos autores oralistas e da Comunicação Total. Para os bilingüistas, o surdo não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, podendo assumir sua surdez.
O Bilingüismo assume que a língua é uma importante via de acesso para o desenvolvimento do surdo em todas as esferas de conhecimento, propiciando a comunicação do sujeito com surdez com os seus pares e com os outros sujeitos, dando suporte ao pensamento e estimulando o desenvolvimento cognitivo e social.
De acordo com Sacks (1998, p. 44):
A língua de sinais deve ser introduzida e adquirida o mais cedo possível, senão seu desenvolvimento pode ser permanentemente retardado e prejudicado, com todos os problemas ligados à capacidade de “proposicionar” [...] no caso dos profundamente surdos, isso só pode ser feito por meio da língua de sinais. Portanto, a surdez deve ser diagnosticada o mais cedo possível. As crianças surdas precisam ser postas em contato primeiro com pessoas fluentes na língua de sinais, sejam seus pais, professores ou outros. Assim que a comunicação por sinais for aprendida, e ela pode ser fluente aos três anos de idade, tudo então pode decorrer: livre intercurso de pensamento, livre fluxo de informações, aprendizado da leitura e escrita e, talvez, da fala. Não há indícios de que o uso de uma língua de sinais iniba a aquisição da fala. De fato, provavelmente, ocorre o inverso.
Dessa forma percebemos que na instauração real do Bilingüismo, a língua de sinais é importante e imprescindível por possibilitar o domínio lingüístico e a capacidade de expressar-se de forma plena e segura; e a língua oral ou escrita em Português possibilitará a comunicação com o meio.
Segundo Goldfeld (1998), há duas formas distintas de definição da filosofia bilíngüe, quais sejam, a primeira acredita que a criança surda deve adquirir a língua de sinais e a modalidade oral da língua de seu país, sendo que posteriormente esta deverá ser alfabetizada na língua oficial de seu país. Por outro lado existem aqueles que acreditam que os sujeitos com surdez devam aprender a língua de sinais e a língua oficial de seu país apenas na modalidade escrita e não na oral.
De acordo com Bernardino (2000, p. 29):
a língua é considerada importante via de acesso para o desenvolvimento do surdo em todas as esferas do conhecimento, propiciando não apenas a comunicação do surdo com o ouvinte, mas também com o surdo, desempenhando também a função de suporte do pensamento e de estimulador do desenvolvimento cognitivo e social. O Bilingüismo considera que a língua oral não preenche todas essas funções, sendo imprescindível o aprendizado de uma língua visual-sinalizada desde tenra idade, possibilitando ao surdo o preenchimento das funções lingüísticas que a língua oral não preenche. Assim, as línguas de sinais são tanto o objetivo quanto o facilitador do aprendizado em geral, assim como do aprendizado da língua oral.
Tendo havido um reconhecimento geral da surdez e das filosofias educacionais utilizadas ao longo da história, assim como uma apreciação geral de determinados autores acerca de cada uma delas, podemos dizer que estamos passando por um período de transição entre as idéias oralistas e aquelas que têm se baseado na utilização da LIBRAS.
A abordagem metodológica utilizada neste trabalho é a pesquisa qualitativa, através da qual, segundo Bogdan e Biklen (1994, p.51):
Os investigadores qualitativos estabelecem estratégias e procedimentos que lhes permitem tomar em consideração as experiências do ponto de vista do informador. O processo de condução de investigação qualitativa reflete uma espécie de diálogo entre os investigadores e os respectivos sujeitos, dado estes não serem abordados por aqueles de uma forma neutra.
A modalidade de pesquisa a ser utilizada é a análise de textos produzidos pelos alunos com surdez, já alfabetizados, nos quais analisaremos os efeitos das teorias educacionais, que foram norteadoras do processo pedagógico utilizado com esses indivíduos, para sua linguagem escrita.
Os sujeitos da pesquisa se constituem em 3 alunos com surdez, já escolarizados e alfabetizados em um dos modelos das três teorias educacionais apresentadas, sendo F. de 18 anos (surdez profunda), B. de 15 anos (surdez profunda) e K. de 10 anos (surdez severa à profunda), oriundos de escolas diferentes, das redes municipal e estadual.
Os instrumentos de pesquisa são as próprias produções escritas dos alunos.
Utilizamos, também, a entrevista não-estruturada, para obtenção da história de vida escolar dos sujeitos da pesquisa. Na entrevista não-estruturada, de acordo com Lüdke e André (1986, p.33-4),
não há imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no findo são a verdadeira razão da entrevista. Na medida em que houver um clima de estímulo e de aceitação mútua, as informações fluirão de maneira notável e autêntica.
Tais entrevistas nos possibilitaram confirmar em qual modelo os sujeitos da pesquisa tinham sido educados, uma vez que já os conhecendo em seu processo educacional, tínhamos uma hipótese sobre tal questão. Realizamos entrevistas com os próprios sujeitos e com os responsáveis dos alunos B. e K., por serem menores.
O primeiro é uma produção de texto realizada logo que K entrou na escola regular. Esta foi feita com base
esclarece acerca da imitação dizendo que:
A diferença substancial no caso da criança é que esta pode imitar um grande número de ações - senão um número ilimitado - que supera os limites da sua capacidade atual. Com o auxílio da imitação na atividade coletiva guiada pelos adultos, a criança pode fazer muito mais do que com a sua capacidade de compreensão de modo independente. A diferença entre o nível das tarefas realizáveis com o auxílio dos adultos e o nível das tarefas que podem desenvolver-se com uma atividade independente define a área de desenvolvimento potencial da criança.
Dessa forma ocorre uma apropriação consciente da língua, ou seja, o aluno com surdez não age apenas como um mero repetidor da língua oficial do país, mas é capaz de colocar-se como sujeito ativo. Isso ocorre exclusivamente, porque através da mediação, temos a oportunidade de reconhecer regras e conceitos impossíveis de serem compreendidos apenas pela imposição de cópias e repetições orais.
Cabe à escola conhecer as diferenças lingüísticas de seus alunos, e, a partir delas, encontrar caminhos efetivos para a apropriação da linguagem escrita por todos eles, independente de suas peculiaridades específicas, como é o caso da surdez.
Ao buscarmos pesquisar os efeitos das concepções e/ou filosofias de educação para surdos em sua linguagem escrita, tivemos a oportunidade de questionar não apenas a questão peculiar dos sujeitos com surdez, mas a educação geral como um todo. Sabendo que a escola, especificamente nos dias de hoje, conta com uma clientela extremamente heterogênea, cabe a todos nós, enquanto educadores, revermos nossa prática pedagógica e nos capacitarmos no sentido de melhor atender a essa diversidade que se apresenta.
No caso dos alunos com surdez, procuramos buscar sujeitos freqüentes em escolas regulares por acreditarmos que o melhor lugar para toda e qualquer pessoa, independente de sua situação social, cultural, física, com deficiência ou não, no que diz respeito à educação formal, é a escola regular e as salas regulares de ensino. Acreditamos, no entanto, que o sucesso se dará com o crescente conhecimento e aperfeiçoamento da prática pedagógica que baseará tal trabalho.
Percebemos que a aquisição de uma língua é primordial para o desenvolvimento intelectual, emocional, social e afetivo de qualquer ser humano, considerando que a melhor forma de aprender a usar seus instrumentos de forma consciente e transformadora é através da mediação ativa de usuários da mesma.
Falamos muito em modelo e em imitação, durante a análise dos textos que apresentamos, porém procuramos deixar bem claro que o sentido apresentado diferencia-se de submissão, sendo este, apenas um referencial para sujeitos que não ouvem, mas que possuem um potencial como todos os outros indivíduos, ativado através da mediação.
Usando as palavras de Fernandes (s.n.t.) podemos dizer que:
Dominar uma língua é, na verdade, um fato abstrato, não submisso ao funcionamento, ou melhor, ao desempenho lingüístico. É um fenômeno decorrente do contato com a língua, do desempenho lingüístico em qualquer de suas modalidades (oral ou escrita). Mas decorrência não deve ser confundida com submissão: utilizar os modelos de desempenho para ativar regras de seleção é base e conseqüência da exposição ao desempenho lingüístico, mas, uma vez ativadas, as regras selecionadas, ativam, por sua vez, mecanismos cerebrais para moldar a arquitetura da composição de domínio da língua em módulos abstratos [...] Para o ouvinte, ouvir é, provavelmente, o principal meio de processamento de entrada para seleção das regras gramaticais de uma língua. Devemos, no entanto, evitar a suposta premissa de que este é o único meio ou o melhor, mesmo no caso de crianças ouvintes.
Considerando a necessidade da modalidade gestual para a educação dos alunos com surdez, cabe a nós viabilizarmos recursos de ensino/aprendizagem que valorizem a memória e o pensamento que se dão pelo aspecto visual, característico desses sujeitos, lembrando que a língua de sinais propicia o desenvolvimento lingüístico dos mesmos, facilitando, inclusive, o processo de aprendizagem de línguas orais, servindo de apoio para a leitura e compreensão de textos escritos e favorecendo a produção escrita.
Ao percebermos as conseqüências de uma e outra concepção de educação para os sujeitos com surdez, tornou-se claro o reconhecimento da língua de sinais como base do trabalho com esses indivíduos, mesmo ao considerarmos que existem dificuldades para o aprendizado da mesma. Não podemos, no entanto, fazer dessas dificuldades uma justificativa para nos acomodarmos e engrossarmos o grupo que afirma que os indivíduos com surdez não são capazes de escrever textos estruturados, compreensíveis e lógicos.
Precisamos, além de refletir sobre as práticas pedagógicas utilizadas e sobre os métodos educacionais que delas fazem parte, nos instrumentalizar teoricamente, no sentido de conhecermos os variados estudos e enfoques que têm permeado as discussões sobre a educação de surdos no ensino regular, no Brasil e no mundo.
Ao falarmos em comunicação, em linguagem e em língua, é importante que consideremos todas as possibilidades dos indivíduos, a fim de que todas as dimensões da linguagem humana sejam estabelecidas.
As produções escritas que vimos, através dos nossos sujeitos de pesquisa, representam um pouco daquilo que tem ocorrido com os alunos com surdez, aqui no Brasil e em outros países do mundo.
Para o momento esperamos ter atingido o nosso objetivo maior que foi fomentar uma reflexão sobre os efeitos das concepções e/ou filosofias de educação de sujeitos com surdez, apresentando a escola e as turmas regulares de ensino como o espaço ideal para o ensino formal, e a língua de sinais como o caminho principal para a efetivação de uma educação de qualidade junto a esses alunos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

OLIVEIRA,Luciana Aparecida. A escrita do surdo : Relação texto e concepção.2002.s. n. t.
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